Marco Tosatti
Caríssimos Stilumcuriali, o artigo publicado esta manhã e assinado pelo Sodalitium Equitum suscitou uma resposta e um maior esclarecimento à pergunta de Andrea Cionci, que já há algum tempo trabalha com determinação sobre o problema da validade ou não da “renúncia” de Bento XVI. Boa leitura.
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Sob o manto do silêncio da mídia em geral, está ocorrendo uma verdadeira “guerra antipapal”, conduzida por canonistas, teólogos e juristas de vários países, leais apenas a Bento XVI.
“O papa é apenas um” Ratzinger vem repetindo há oito anos, sem nunca explicar qual dos dois, como recentemente confirmado por Monsenhor Gaenswein (involuntariamente). A tese da advogada Acosta, publicada em março no volume “Bento XVI: Papa emérito?”, não foi negada: o cânon 332.2 exige a renúncia do munus (título divino) para a abdicação do papa, enquanto Ratzinger, em sua Declaratio de 11 de fevereiro de 2013, declarou renunciar apenas ao ministerium, o exercício ativo.
“Bento XVI – afirmam Acosta e o jurista Sánchez (Univ. Sevilha) – nunca abdicou, permaneceu como o único papa. Francisco é um antipapa, os cardeais por ele indicados, que não valem, elegerão outro antipapa”.
Mas agora o confronto final é entre os latinistas, em um único verbo: “vacet”. O Vaticano, que já nas traduções da Declaratio havia eliminado a dicotomia munus/ministerium, relatando-os apenas com “ministério”, traduziu “vacet” como “sede vacante”. Legítimo, mas o latinista Gianluca Arca explica que, no sentido literal, significa “a cadeira fica livre”. O confirmam dois latinistas (“neutros”) da Sapienza, prof. Ursini e Piras, tanto que Cícero escreve: “«Ego filosophiae sempre vaco»-«Sempre tenho tempo livre para a filosofia»”.
Assim, três conceitos-chave da Declaratio de Bento permanecem: 1) Como não tenho mais forças para exercer o poder prático (ministerium), declaro que renuncio a ele, 2) para que a Sé de São Pedro permaneça LIVRE (não “vaga” no sentido legal) a partir das 20 horas do dia 28 de fevereiro. 3) E eu declaro que o próximo novo Pontífice deve ser eleito por um conclave convocado “por aqueles a quem compete”.
Lida desta forma, a Declaratio, de uma “renúncia” canonicamente problemática, se transforma em uma declaração – não jurídica – mas coerente, de “Sé impedida”, segundo o cânon 412, quando “o Bispo está totalmente impedido de exercer o ofício pastoral na diocese devido à prisão, confinamento, exílio ou incapacidade, não podendo se comunicar nem mesmo por carta com seus diocesanos”.
Plausível? Vatileaks e a demissão de Gotti Tedeschi contam como, no final do pontificado, Bento XVI teve grandes problemas em ser obedecido e não conseguia se comunicar por carta, visto que roubavam e divulgavam sua correspondência particular.
De fato, em 28 de fevereiro de 2013, ele pegou um helicóptero e deixou fisicamente São Pedro vazio em direção a Castel Gandolfo. De lá, ele disse adeus ao mundo às 17h30, mas ao bater das 20h não assinou nenhuma renúncia ao ministério, como explica o teólogo Pace: talvez por ser um ato legal inválido? A partir daquele momento, a Sé impedida teria começado e os inimigos de Ratzinger poderiam fazer o que quisessem com a Sé de São Pedro.
Arca e Sánchez concordam: “Isto explica a estranha frase ‘o conclave terá de ser convocado por aqueles que são responsáveis por ele’. Por que não disse simplesmente “pelos cardeais”? Ciente de que a Sé seria usurpada, Ratzinger especificou que, em qualquer caso, o próximo papa real deve ser eleito somente pelos verdadeiros cardeais, ou seja, aqueles nomeados pelos papas reais, ele e João Paulo II, e não por possíveis usurpadores”.
Ainda não houve resposta do Vaticano que, há dois anos, optou por não comentar a questão, limitando-se a excomungar os padres leais a Bento XVI sem processo canônico.
A “sé impedida”, no entanto, explica uma série de estranhezas, como quando Ratzinger escreveu em “Conversas finais”: “Nenhum papa renunciou por mil anos e mesmo no primeiro milênio isso foi uma exceção”. Visto que seis papas abdicaram no primeiro milênio e quatro no segundo, ele assimila, como confirmado pelo historiador Mores (univ. Milan), à “exceção” do papa medieval Bento VIII que, no primeiro milênio, foi enviado para o exílio por um antipapa e que, portanto, teve – coincidentemente – a sé impedida. Também é significativo que a instituição do papa emérito agora seja considerada inexistente, tanto que – relata IlGiornale.it – o Vaticano está trabalhando (agora) para encontrar para ele uma jurisprudência. Então, o que Ratzinger foi durante oito anos? Isso explicaria sua túnica branca, as demais prerrogativas papais de que segue gozando e aquela estranha ambiguidade que persiste em seus depoimentos e entrevistas, o que sugere uma impossibilidade de comunicação clara, justamente pelo impedimento da sede.
A suspeita – muito grave – é que de fato o Papa Ratzinger vem se comunicando sutilmente através de livros e entrevistas há oito anos, sem que ninguém capte suas mensagens lógicas escondidas sob aparentes inconsistências. É possível que o teólogo adamantino e altamente culto, depois de 2013, tenha esquecido o latim, o direito canônico, a história da Igreja, enquanto continua a escrever livros e a dar entrevistas profundas? E que todas essas distrações sempre levam ao mesmo cenário de sé impedida?
A última descoberta foi feita por um jornalista de RomaIT, Mirko Ciminiello[1]. Novamente em “Conversas Finais”, Ratzinger admite que ele mesmo poderia realmente ser o último papa na lista dos pontífices de São Malaquias: ele praticamente não considera Franciso como seu legítimo sucessor.
Se Bento XVI não abdicou, de fato, as linhas de sucessão estão para sempre separadas: uma papal e uma anti-papal, e se os cardeais não resolverem a questão canônica em sua Declaratio, a verdadeira Igreja continuará escondida, com um próximo líder espiritual que será o verdadeiro sucessor de Bento XVI, enquanto a Sé oficial será perdida, deixada nas mãos de uma nova igreja eco-maçônica-mundialista que nada terá a ver com o catolicismo romano. Pelo contrário.
Andrea Cionci
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